Graça Machel pede envolvimento da mulher na busca da paz efectiva em Moçambique

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A presidente da Fundação para o Desenvolvimento Comunitário (FDC), Graça Machel, lançou ontem, na cidade de Inhambane, um apelo às mulheres moçambicanas para se juntarem aos esforços do governo na busca da paz efectiva, promovendo o diálogo como arma fundamental para este desiderato.

Falando na abertura do II fórum regional de consulta sobre a paz e reconciliação nacional, um movimento feminino, a activista social disse que as mulheres constituem peça fundamental na educação das comunidades, na promoção da coesão, união familiar, bem como na reconciliação nacional.



Graça Machel justificou que a organização que lidera decidiu consolidar os esforços do governo e de outros actores políticos na busca da paz efectiva, porque as mulheres são mobilizadoras e aglutinadoras de todas as sensibilidades. Os fóruns regionais da FDC visam sistematizar as contribuições das mulheres para o processo visando o alcance da paz efectiva no país.

Recordou que desde a proclamação da independência nacional, o país é sistematicamente confrontado com momentos de instabilidade política caracterizada por violência armada, situação que retarda o seu progresso socioeconómico, havendo, por isso, segundo explicou, uma necessidade extrema de juntar nos esforços para a concretização de uma paz sem fim.

Graça Machel manifestou seu regozijo pelos resultados que estão sendo anunciados no processo de busca da paz, salientando, porém, que é necessário que as pessoas passem a discutir as diferentes formas da governação sem armas.

“As armas que se calem de uma vez por todas. As diferenças de opinião sobre a governação do país devem ser colocadas na mesa para o debate. Ninguém deve tirar a vida dos outros para fazer vincar as suas ideias. É por isso que nós, mulheres, despidas de cores partidárias, religiosas ou de raça, estamos a juntar-nos para consolidar o engajamento dos políticos no restabelecimento da paz”, disse.




A activista sublinhou a necessidade de se institucionalizar o diálogo como plataforma única para o fortalecimento da solidariedade entre as pessoas e que os conflitos sejam resolvidos sem recurso à violência.

Destacou a importância do resgate dos valores morais, por via do desarme das mentes e rejeição do ódio.

Graça Machel ressalvou que o movimento é apolítico, originalmente social e comunitário. Justificou que as mulheres aliam sempre o raciocínio com o sentimento, defendendo que elas podem promover a paz usando o poder natural de gerar a vida.A consulta regional sul da FDC, que movimentou 80 mulheres representando diferentes organizações sociais, nomeadamente líderes comunitários, académicos, curandeiros, instituições públicas e religiosas de Maputo província, cidade de Maputo, Gaza e Inhambane, termina hoje, com a produção de recomendações que deverão ser levadas à consulta nacional.

Jornal Noticias

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